segunda-feira, 21 de junho de 2010

Beleza e controle ambiental

Classificação principal: Meio Ambiente
Classificação específica: Educação
Classificações secundárias: Cidades, Fitoconviviologia


VÁRZEA PAULISTA

11/1/2010
Beleza e controle ambiental

DIVULGAÇÃO A expectativa é que 800 orquídeas sejam plantadas ainda este mês nas ruas da cidade


Não é de hoje que Várzea Paulista luta para ser a cidade das orquídeas. Desde 2005, o governo da cidade atua para fixar a identidade ´Cidade das Orquídeas´ no município, com os objetivos de incentivar o turismo, o desenvolvimento econômico e social e divulgar os orquidários existentes na cidade. No mês passado, foi lançado o projeto "Várzea Paulista, Cidade das Orquídeas", que consiste no embelezamento da cidade com o plantio de orquídeas nas praças e árvores do município.

O objetivo é deixar a cidade mais bonita e fixar ainda mais a identidade do município. "Desde 2005 nosso governo tem feito esforços para fixar essa marca. Porém, faltava levar as orquídeas pra o cotidiano das pessoas", explica o secretário adjunto de Meio Ambiente do município, Marcelo Firmino. A iniciativa também tem outra finalidade. "O plantio das orquídeas vai contribuir para a análise e observação da qualidade ambiental da cidade, uma vez que este tipo de planta depende do clima ideal para se manter viva. Será um método interessante para avaliarmos a qualidade climática do município", salienta.

A expectativa é que as cerca de 800 orquídeas sejam plantadas durante o mês de janeiro e estejam floridas até a 6ª Orquivárzea, festa que acontece em agosto. O plantio será realizado pela secretaria de Infraestrutura Urbana e pela supervisão de Meio Ambiente nas árvores mapeadas pelo projeto ´Levantamento de Arborização Urbana da Região Central de Várzea Paulista´, uma parceria entre a Prefeitura e a ONG Coati. O trabalho foi elaborado no ano passado, em 70 ruas, onde foram registrados 54 tipos de árvores, sendo as mais comuns as espécies Focus e Ipê Amarelo.

A Praça Castro Alves já recebeu 30 orquídeas floridas, doadas pelo orquidário Biorchids. Nesta primeira etapa, serão plantadas flores na região central do município, incluindo, além das árvores das vias públicas, o Paço Municipal e as praças da Árvore e da Liberdade. "Vamos depois avaliar a possibilidade de ampliar o plantio para outras regiões da cidade, levando a beleza das orquídeas para os bairros. Vamos precisar muito da ajuda da população, que será a principal responsável por ajudar a Prefeitura a evitar casos de depredação e vandalismos nas flores", reforça Firmino.

Educação ambiental - Na biodiversidade tropical, em biomas como a Mata Atlântica, quase todas as árvores de uma floresta apresentam epífitas, ou seja, plantas herbáceas que apenas usam a árvore como suporte, sem prejudicar e sugar nada, e neste grupo estão as orquídeas. Sua importância no ambiente vai muito além da beleza, sendo bioindicadoras do estado de conservação da floresta, contribuindo, dependendo da espécie, com o fornecimento de recursos alimentares e água à cadeia alimentar e na ciclagem de nutrientes das plantas ao seu redor.

Pensando nisso, outro fator destacado pelo secretário quanto à inserção de orquídeas no meio urbano é a educação ambiental junto à população. "Além de enfeitar a cidade, o plantio das orquídeas será uma forma de educação ambiental, uma vez que precisamos do apoio de todos para que essas plantas perdurem e floresçam." De acordo com Firmino, se 60% das orquídeas florirem em agosto, é um sinal de que a cidade está com uma qualidade ambiental boa. "Abaixo desse índice teremos que analisar os motivos, que podem ser tanto pelo clima e poluição da cidade, como por pragas.

TERESA ORRÚ


Retirado de: http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&int_id=101485

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Conquista da Memória

Classificação Principal: Mnemossomática
Classificação Específica: Neurociências
Classificações Secundárias: Proteína; Teste

A CONQUISTA DA MEMÓRIA

A ciência está desvendando os mecanismos biológicos
que nos permitem lembrar e esquecer – e já prevê aplicar
esses conhecimentos em terapias que melhoram a capacidade
de memorização ou que apagam da mente experiências ruins
Para ver a matéria completa, clique no link:


http://veja.abril.com.br/130110/conquista-memoria-p-078.shtml

sábado, 10 de outubro de 2009

Textos de Martin Luther King Jr. (para reflexão)

Classificação Principal: Questionamentos Proexiológicos
Classificação Específica: Trafares e Trafores
Classificação secundária: Cosmoética

TEXTOS DE MARTIN LUTHER KING JR.

A covardia coloca a questão: É seguro?
O comodismo coloca a questão: É popular?

A etiqueta coloca a questão: É elegante?

Mas a consciência coloca a questão: É correto?

E chega um ponto em que temos de tomar uma atitude que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.


II

É melhor tentar e falhar que ocupar-se em ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.
Eu prefiro caminhar na chuva a, em dias tristes, me esconder em casa.
Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade.
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.
O ódio paralisa a vida; o amor a desata.
O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza.
O ódio escurece a vida; o amor a ilumina.


(textos enviados por Ton Martins)



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fenômeno Bullyng

Classificação Principal: Parapedagogia

Classificação Específica: Efeito Bulling

Classificações Secundárias: Paraeducação, Rogers


Ensinar e aprender 12 (O fenômeno Bullyng)

Um dos assuntos em moda nas escolas atualmente é o chamado "Fenômeno Bullyng". Ele em si não tem nada de novo, é tão antigo quanto a humanidade. Porém pelo seu agravamento, nos últimos tempos, educadores, psicólogos e orientadores educacionais alertam para o problema e começam a tentar uma conscientização de pais e alunos desta assustadora realidade. Dias atrás num desses canais da Net, numa retrospectiva, em entrevista, Paulo Freire , o grande mestre, dizia:

- "A escola deverá ser uma festa". Concordo plenamente. Vou mais além. Como professor ligado às Artes, digo: "A Escola deve ser uma permanente FESTA DE CRIATIVIDADE".

Para quem não conhece, o termo Bullyng vem do Inglês. Refere-se a "valentão", "tirano" e outros significados semelhantes. A terminologia Fenômeno Bullyng usa - se no Brasil, como em outros países, para falar do comportamento agressivo, da crueldade das pessoas nos relacionamentos humanos entre adultos, crianças e principalmente entre duas ou mais crianças.

Para quem conhece as teorias de Rogers as soluções para superar o fenômeno existem. Na sua obra "Tornar-se Pessoa" o mestre nos fala do relacionamento aluno- professor como algo repleto de amor, carinho, compreensão e sobretudo diálogo. A educação libertária substitui a opressão.

Geane de Jesus Silva, psicopedagoga e coordenadora pedagógica, fala de dois casos bem clássicos. - "Atitudes de Bullyng podem tornar a vida de alguns alunos um verdadeiro inferno". Em um trabalho sobre o assunto relata a professora:

Carlos da quinta série foi vítima de alguns colegas por muito tempo, porque não gostava de futebol. Era ridicularizado constantemente, sendo chamado de gay nas aulas de educação física. Isso o ofendia sobremaneira, levando-o a abrigar pensamentos suicidas, mas antes queria uma arma e matar muitos "colegas" dentro da escola.

Gislaine da segunda série, oito anos, estava faltava freqüentemente à escola. Quando comparecia, chorava muito e não participava das aulas, alegando dores de cabeça e medo. Certo dia, alguns alunos procuraram a professora da turma, dizendo que a garota estava sofrendo ameaças. Teria que dar suas roupas, sapatos e dinheiro para outra aluna, caso contrário apanharia e seria cortada com estilete.

São casos reais colhidos por Cleo Fante para uma pesquisa sobre a violência nas escolas, narrados no seu livro " Fenômeno Bullyng", (como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz). Afinal o que é esse fenômeno Bullyng ? Quais as causas? Como preveni-las ?

As "brincadeiras de mau gosto" revelam-se ações muito sérias. Levam estudantes ( crianças) ao suicídio e muitas vezes a atos tresloucados, com armas de fogo ou armas brancas. Isso acontece nas nossas escolas, e em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Mas de onde trazem as crianças essa agressividade intencional e repetitiva? Como professores e orientadores devem se comportar? E aos pais o que cabe? Fazer ou consertar? ... O assunto está apenas no seu início.


Ensinar e aprender nº 13 Bullying (2) Elvio Santiago ® contato@elviosantiago.com

"Ela se apresentou: - Meu nome é Cleo Fante... E com um gesto passou-me o seu livro que acabava de ser publicado: Fenômeno Bullying. Estranha a presença de uma palavra inglesa no título do livro...

Assim começa um artigo do poeta Rubem Alves na sua página da internet .

O encontro do autor com a escritora deu-se de maneira simples e inesperada. Mais adiante o próprio poeta fala de sua experiência como vítima do fenômeno. Diz ele: - Fui vítima do Bullying. Quando me mudei para o Rio de Janeiro e meu pai me colocou no Colégio Andrews, que era freqüentado pela elite carioca, fui motivo de zombaria por causa do meu sotaque caipira e a forma como me vestia. "Sentia-me ridículo". Diz ele que ao ler as primeiras 40 páginas do livro de Cleo descobriu que a sua dor fora muito pequena em relação às humilhações de outras crianças. E diante dos relatos que farei abaixo descobri que a minha passagem pelo Bullying foi também uma experiência pouco significativa.

Tinha cinco anos e meio quando comecei a freqüentar a primeira série. Era resultado da minha alfabetização precoce e do contato muito cedo com as letras. Eu era o menor da classe e por isso motivo de chacota dos maiores.

Os relatos da autora vão além e são eivados de verdadeiro sadismo. E sadismo é antes de tudo uma monstruosa deformação espiritual. Dizem, que nem Freud conseguiu definir com precisão as razões do sadismo.

Cleo Fante no seu livro conta inúmeros casos:

Edimar era um jovem humilde e tímido de 18 anos que vivia em Taiúva, Estado de São Paulo. Seus colegas fizeram-no motivo de chacota porque era gordo. Puseram-lhe os apelidos de "gordo", "mongolóide", "elefante cor de rosa" Passou a tomar vinagre de maçã todos os dias, no seu esforço para emagrecer. ( Um alerta: O ácido acético contido no vinagre, ingerido em excesso, pode levar à morte). No dia 27 de janeiro o jovem entrou na escola armado e atirou contra seis alunos, uma professora e o zelador, matando todos. Foi o caminho que encontrou para vingar-se das humilhações sofridas.

Fique claro porém que briguinhas ocasionais entre crianças não representam uma ameaça de Bullying. As briguinhas são até necessárias em certos momentos em que elas precisam de auto- afirmação.

Afinal quem é responsável pelo fenômeno Bullying? Espero que os pais após lerem este artigo façam uma sincera autocrítica sobre a educação de seus filhos. Será que o ato inicial do fenômeno Bullying começa em casa? Será que pais despreparados para viver em sociedade são os verdadeiros agentes dessa praga? Será que pais separados contribuem para que o fenômeno se manifeste? Será? Ou achamos que a responsabilidade é da escola? Os pais estão realmente acompanhando a educação dos filhos ou estão em busca de resultados de notas?

Uma certeza que tenho e defendo há 40 anos é a que Rogers propõe: "Que a educação do ser humano pela aventura criativa, encontre: a liberdade, a auto- realização e a consciência social." A educação também pode contribuir para postular-se a dignidade perdida em uma sociedade egoísta, cínica e repressora.




COMENTÁRIOS


virginia sibon disse...
Elvio está de parabéns em colocar um assunto de tamanha importância para análise de todos.
Se olharmos esse fenômeno pelo paradigma consciencial, veremos que essa situação tem início muito antes do lar e da escola; na realidade a agressividade, raiva e sadismo estão diretamente ligados à paragenética da criança, manifestando seu porão consciencial de forma exacerbada. O contexto familiar despreparado para educar com amor e respeito ao outro, também está relacionado à interprisão grupocármica que une patologicamente os pais e filhos, dificultando um relacionamento harmonioso e sadio.
A escola, pela falta de conhecimento da multidimensionalidade e multisserialidade, também não consegue entender e promover soluções para esse fenômeno.
Infelizmente grande parte da população necessita de uma reeducação, no sentido de abrir-se para novos paradigmas, novas posturas mais dignas e para a vivência da Cosmoética.
Virginia
25 de Julho de 2009 04:20

Walter de Almeida disse...
Parabéns para todos que participam
deste blog tarístico, e principalmente para o Elvio,autor desse texto.
A violência em todas as épocas e em todos os lugares pode representar um mecanismo de defesa de um núcleo patológico que a consciência intrafísica traz em sua paragenética(outras vidas)exacerbando ao máximo essas emoções desequilibradas,fase da hiperreatividade,onde desenvolve um holopensene belicista e quando não as supera, entra em um outro estágio patológico que é auto-destruição, o suicídio.
Podemos perceber nesses casos a existência de um fluxo energético que vai mudando a postura e a convivialidade desses jovens em relação às pessoas em todos os setores de sua vida(fluxo praxiológico).
Esse e outros problemas são decorrentes da vivência da chamada Cidadania Convencional e com difíceis soluções e eficácia limitada.
Devemos no atual momento evolutivo ampliar nossa visão de mundo, observando esse mesmo problema sob o ângulo da Multidimensionalidade, Multiexistencialidade, desenvolvendo assim uma pedagogia
embasada nesses preceitos, ou seja, a Parapedagogia.
Devemos otimizar a formação de Parapedagogos para uma resolução mais abrangente, mais evolutiva, direcionando esse fluxo para aspectos mais positivos na vida do ser humano.
Walter de Almeida
26 de Julho de 2009 06:38

19 de Agosto de 2009 21:05

Excluir
Blogger A Turma da Laurinha disse...

Obrigado pelas observações dos amigos Walter e Virgínia. Sobre o ponto de vista de um novo paradigma para a educação a colocação é perfeita.Por se tratar de,artigos ligados à Pedagogia empregada hoje nas escolas( e assim pretendia o Jornal quando publiquei essa série)penso que, naquele momento atingiram os objetivos propostos.Porém,como o Cosmograma nos remete exatamente à uma reflexão mais apurada sob o ponto de vista Conscienciológico me atrevi a publicá-los. Obrigado pelos comentários esclarecedores, pela visão multidimencional e multiserial do problema. São comentários oportunos e atuais. Agora os artigos estão mais ricos. Valeu a pena publicá-los. Quem sabe eles possam futuramente ser reescritos dentro de uma visão Conscienciológica mais clara e compreendido por pais com abertismo suficiente para uma mudança maior nos objetivos da Educação,ou assim mesmo como estão. Espero que sirvam como ponto de reflexão para outras consciências (proposta tão importante do Cosmograma).
O autor 20 de agosto 10:10

20 de Agosto de 2009 06:40



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ensinar e Aprender

Classificação Principal: Parapedagogia
Classificação Específica: Neofilia
Classificações Secundárias: Paraeducação

ENSINAR E APRENDER

Texto Número 1

Ensinar e aprender (I) ( Série de artigos baseados nas experiências educacionais de Carl Rogers e do autor)

" Eu não posso ensinar a outra pessoa a maneira de ensinar". A partir dessa premissa Carl Rogers, talvez o maior pensador ligado à Educação no século XX, inicia uma espécie de decálogo em que coloca suas idéias de maneira clara, moderna e, às vezes contundente, na sua fantástica obra. E segue: " Creio que aquilo que se pode ensinar a outra pessoa não tem grandes conseqüências, como pouca ou nenhuma influência significativa tem sobre o seu comportamento".

Rogers tentava dizer isso, talvez, de maneira perturbadora e por isso mesmo digna de debates calorosos como os que enfrentei em minha vida como professor de Educação Artística e Orientador Educacional.

O que mais nos interessa realmente é captar na experiência pessoal de alunos e professores tudo aquilo que influencie significativamente o comportamento da criança.

A proposta de Rogers e que eu apliquei durante seis anos na Escola "Cesarina Fortarel ", complementada pelas minhas soluções práticas nas experiências, nem sempre compreendidas pela direção, colegas e pais foi positiva pois nela encontrei sempre a resposta da criança com quem trabalhei; A DESCOBERTA DE SI MESMA.

Toda ação que envolve a descoberta, agrega um resultado positivo e inovador, e encaminha a criança ao encontro do direito que ela tem à liberdade de expressão.

As aulas deverão ser criativas em toda a sua dimensão. As propostas ( em Educação Artística) resultantes de trabalhos desenvolvidos por adultos, "Disneys" e outros desenhistas, ilustradores nacionais famosos servirão apenas como referência e em alguns casos. Lembre-se: A criança não é um adulto e dar saltos na sua evolução gráfica é como decorar os Lusíadas.

Até a chamada, em sala de aula, será substituída por um processo de reflexão criativa que partirá sempre do aluno por sugestão do professor. O aluno jamais poderá ser um número de um caderno. A cada aula a chamada será mais um espetáculo de criatividade. (falaremos sobre esse assunto em outro artigo)

O professor é mero espectador, ou orientador, na descoberta do universo latente, puro e maravilhoso de toda criança. É claro que certas experiências levadas ao extremo poderão fazer com que pequena parte dos professores não consiga participar de empreitada tão difícil e pense até em deixar a profissão.

Será que aquela criança esta interessada em Inglês, Português, Matemática ? Se estiver, ótimo. Se não, então cabe à Escola perceber. Aí entra o trabalho do Orientador Educacional. E onde está ele? Pasmem. Não há orientadores Educacionais nas nossas Escolas.

Quando passei da quarta para a quinta série, lá no meu antigo Ginásio, percebi que na minha semana escolar, só dois únicos dias da semana me interessavam e me davam o grande prazer de ir à Escola. Nesses dias, havia em mim uma sensação de alegria, conforto, bem-estar, realização. Tudo que havia de bom na vida de um menino simples de bairro estava restrito às terças e quintas feiras. Eram os dias das aulas de Desenho, única coisa realmente interessante no meu pequeno mundo. As aulas dos professores de Português e de Latim eram um suplício na minha vida. O de Matemática nos obrigava a decorar Teoremas. Esqueci todos. Aliás... nunca os usei para nada.

Hoje, como o próprio Rogers sinto que estava interessado somente em ser aluno de assuntos que tivessem importância significativa para o meu próprio aprendizado e comportamento.

Mas o meu pai, minha mãe, meus irmãos, vizinhos, parentes, amigos, professores diretores, supervisores( eu ainda não sabia que eles existiam) , todos- uma nação toda - em nome da aprendizagem me obrigaram a decorar dez cantos dos Lusíadas . Declamo-os até hoje de cor, mas, nunca me serviram para nada. Aliás, serviram . Uma vez viajando pela Espanha visitei as ruínas de Mérida ( e lá existem monumentos do período do Império Romano melhor conservados que os de Roma, e como artista plástico e humanista, só isso me interessava... ).

Para testar a acústica do teatro, todo feito em mármore de Carrara, com colunas jônicas e capitéis maravilhosos "recitei" alguns cantos dos Lusíadas. Nas arquibancadas estavam três pessoas. Quando terminei, duas me aplaudiram. Ninguém entendeu nada do que eu disse.

Os aplausos também começaram um pouco antes do término e percebi nas entrelinhas que a grande platéia estava ávida de que o poema chegasse logo ao fim.

Rogers tinha razão. É lógico que naquela época eu já sabia que o grande pensador dissera tudo isso na sua proposta Educacional. Eu conhecera seus sonhos nos bancos da Faculdade. Só faltava comprovar que tudo "aquilo" que eu aprendera , odiando Português e os Lusíadas, não havia servido mesmo para nada.

Mas, ficou uma certeza: poderia ter aproveitado muito mais meu tempo nas maravilhosas aulas de Desenho. Talvez eu fosse um artista plástico um pouco melhor.

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor

contato@elviosantiago.com

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Texto número 2

Ensinar aprender (II)( Série de artigos baseados nas experiências educacionais de Rogers e do autor

Quando recebi a revisão do meu primeiro texto da série " Ensinar e aprender" jamais imaginei que um outro texto da minha revisora, que acompanhava o E Mail, fosse tão importante e esclarecedor. Agora sim o meu texto estava completo. Helena Guimarães a "Vovó Helena" narradora das minhas historias, aquela professora tão competente do Plantão Gramatical me enviara o " outro lado da moeda ". O lado que muitas vezes desconhecemos por não tê-lo vivido. Logo em seguida pedi permissão para publicá-lo. Este segundo artigo leva a dupla chancela: do autor e da revisora com excelente texto, competente na forma e no conteúdo. Seria uma perda lastimável se não fosse publicado. Ai esta para a reflexão das minhas idéias um texto que é uma saudação ao professor e um alerta sobre a nobre missão de"ensinar" e o resultado do "aprender" nem sempre encontrado nas escolas;

Caro Elvio.
Você tem razão, a experiência pessoal de aprender é intransferível.
Até hoje, ouço na memória a voz rouca do professor de português, Caio Graco da Silveira, dizendo, emocionado, os versos do episódio da Tempestade, dos mesmos Lusíadas que atormentaram você.


Eu tinha onze anos!
Aquelas palavras, muitas incompreensíveis, soavam imponentes, belas. A mim provocaram a descoberta da beleza das palavras, do incomensurável poder de "desenhar" uma cena traduzindo a imagem nas sonoridades e nas associações semânticas infinitas dos sons da voz humana. E ao decifrar os textos, em latim, da Eneida, com o inesquecível professor Luís Barth, os enlevos das duas línguas me envolveram perdidamente. A cada descoberta, outra se impunha. Apaixonei-me aos onze anos pela Língua Portuguesa. Com isso, passei a brincar com as palavras, a compará-las, a cantá-las, a garimpar as mais belas, as mais longas, as mais difíceis, as mais sonoras, a procurar as
histórias de cada uma (só depois vim saber que era etimologia), a inventar outras, a juntar as esquisitas, a garatujar cadernos com "poesias" e" narrativas" e veja no que deu. Cada caminho tem suas marcas, suas belezas, e cada caminheiro enxerga as que mais o tocam. Eu não sei hoje, como não sabia então, traçar figuras que alguém possa entender sem que eu as explique. O problema é que minha querida professora de desenho não conseguia aceitar que aluna tão aplicada como eu era, pudesse não ser capaz de traçar uma reta (nem com régua!) ou de demonstrar a luz e a sombra nas "cópias do natural", daquela jarra na mesa, daquela cestinha de frutas ou dos famigerados cones, cubos e paralelepípedos de madeira, meu sofrimento aí era indescritível. Apesar de tudo, fazia muitos desenhos "livres". Na opinião dos colegas, ridículos, no sentido literal: que faziam rir, e sempre acompanhados de algum texto jocoso, tinha algum sucesso. Mas acontece que
"desenho livre", na época era a paisagem da casinha à beira do lago, os
coqueiros no morro e os pássaros em V - estes eu fazia mais ou menos - ou
então aquele castelo com várias torres de tijolinho. Lembra-se disso? Dentro de um círculo ou de uma figura oval. Era um sufoco fazer os tais tijolinhos.
Mas depois que a "sabatina" voltava, eu enfiava uma trança na janela do
castelo, punha um monte de cabecinhas com elmos estranhos nas ameias, fazia
uma cavalo esquisitíssimo e um príncipe danado de feio e provocava
gargalhada na turma toda. Talvez eu tivesse certo talento para cartunista, ou quiçá para a sátira mesmo.
Só a professora não ria. Aliás, nem sabia do que se tratava e não imaginava que quem provocava o tumulto era aquela menininha tão educadinha e tímida, coitadinha sem jeito para as artes.
Rogers explica...


Abraços, Helena

A palavra de quem passou por experiência semelhante é o atestado de que a liberdade de expressão ainda, como antigamente, precisa ser vivenciada a cada minuto em sala de aula. Será que o nosso talento ,recebido de Deus, deva ser estimulado, ou deixado para que os homens insistam em destrui-lo?

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor

contato@elviosantiago.com

www.elviosantiago.com

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Texto número3

Ensinar e aprender ( III )(série de artigos baseados nas experiências educacionais de Rogers e do autor)

" Sinto que é extremamente compensador aprender, em grupo, nas relações com outras pessoas ... ou por mim mesmo".

Quando Carl Rogers refere-se ao estudo em grupo, para entendê-lo, há necessidade de voltar-mos aos anos sessenta, do século passado, quando as atividades em sala de aula eram totalmente individualistas. Trabalhar em grupo foi o grande salto para a educação proposta pelo nosso pensador.

Na década de sessenta fui convidado para lecionar Desenho numa escola católica tradicional. Recordo-me que, no primeiro dia de aula, surpreendi todas as normalistas com o meu primeiro minuto de fala:

- Anotem aí, disse eu. A partir de hoje esqueçam para sempre tudo o que aprenderam em Desenho. O desenho pedagógico é anti-pedagógico. Houve um silêncio absoluto.

-

- O Desenho Pedagógico é na realidade a reafirmação permanente do individualismo e da padronização de conceitos adultos impingidos às crianças. Nos já sabíamos que a criança sempre tivera através do desenho a mais rica e original manifestação da sua capacidade criadora e que essa experiência proporcionava ao educando saúde intelectual .

-

- As futuras normalistas quase entraram em pânico, as freirinhas em pânico total. Como eu havia sido indicado pela maior autoridade de Desenho do país, cujo livro CURSO DE DESENHO era o mais adotado e festejado no Brasil, o susto inicial foi assimilado por conta da palavra empenhada do Prof. José de Arruda Penteado ( meu professor de Didática Espacial de Desenho).

-

- Impedernido seguidor de Skinner e John Dewey ( que já apresentava nas suas propostas uma evolução de idéias dentro do conceito educacional) : permitia à criança uma aproximação entre a parte experimental e a sua aprendizagem. Proporcionava aos estudantes a oportunidade de criar e investigar suas próprias experiências.

- O Prof. Penteado nesse dia também se escandalizou com a minha postura já com pinceladas Rogerianas. Foi numa das minhas aulas na Faculdade que recebi nota dez do professor após uma crítica:

- Não concordo com nada do que o senhor disse, referindo-se a mim, mas, dou-lhe a nota máxima pela sua audácia. Toda essa série de experiências e de conclusões lançaram-me num processo por vezes fascinante e por vezes inquietante.

- A partir de novas experiências notamos que todo processo criativo é por excelência perturbador. Há nos momentos, que antecedem a execução de qualquer atividade criadora uma instabilidade emocional da criança. Ela se sente insegura diante do novo, do inusitado. Superado esse momento que terá duração variável de aluno para aluno o processo se desenvolve mais tranqüilamente e no seu final poderá satisfazer ou não a criança. O momento seguinte é crucial na relação professor- aluno.

- Como agir diante de uma criança que pergunta :

- Esta bom professor?

- A resposta será feita com uma nova pergunta: O que você acha?

- O professor jamais devera avaliar projetos criativos. Aquilo que pode ser criativo para a criança nem sempre é criativo para o adulto. Há sempre uma dose de ranço nas respostas de adultos.

- Assim deve-se devolver a pergunta para o aluno com outra pergunta:

- O que você acha?

Se a criança achar que esta bom, concorde com ela, pois melhor que ninguém ela sabe o que é bom ou não.

Se criança achar que não esta bom, diga a ela:

- Então faça outro.

O professor que analisa o trabalho de um aluno pelos seus próprios padrões, bloqueia nessa criança a sua capacidade de criar.

Pior é imaginar que a criança tem necessariamente que pintar dentro de linhas pré estabelecidas pelo professor, pintar desenhos mimeografados ou xerocados, de artistas profissionais, cartunistas e ilustradores que, em toda sua vida profissional, acumularam informações altamente técnicas que, o aluno levará muitos anos ainda para assimilar. É como dizer ao aluno:

- Você não sabe pintar. Quem sabe é o Walt Disney( ou outro qualquer).

-

Criança pinta como criança. Adulto, faz algo parecido como desenho pedagógico que tanto critiquei na década de sessenta. Mas infelizmente ele ( o desenho pedagógico) continua nas Escolas . Só que com outra caras: Patos Donaldes, Mickeis, Cebolinhas, meninos maluquinhos e tantas outras geniais criações de adultos, altamente intelectualizados e muito, mas muito distante mesmo, da pureza, da simplicidade e originalidade de cada criança. Mas isto é assunto para um outro dia .

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor www.elviosantiago.com

( licenciado em Desenho e Plástica ,Educação Artística e Pedagogia)

Contato@elviosantiago.com

www.elviosantiago.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

Conscienciologia - Uma Experiência em Outra Dimensão

Classificação Principal: Assistenciologia
Classificação Específica: Tares
Classificações Secundárias: Definições de Temas da Conscienciologia; Projeciologia; Artigos

Uma Experiência em Outra Dimensão; http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/35/artigo119619-1.asp

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quatro meses

Classificação Principal: Recexologia
Classificação Específica: Reciclagem Intraconsciencial
Classificações Secundárias: Tanatologia; Tempo-Espaço; Autocura

Schmidt, Silvia; Quatro meses.

Quatro Meses



(Silvia Schmidt)






Outro dia foi o aniversário da partida de uma senhora
por muitos conhecida e muito querida.


Algum tempo antes, chegando de uma das dezenas de consultas médicas que já fizera, ela disse aos familiares:


- Pedi franqueza à junta médica que me examinou,
pedi-lhes que não me poupassem de saber a verdade sobre meu estado de saúde.


Eu sinto que me resta pouco tempo.
Diante dos olhares ansiosos, ela continuou:



- Eles me revelaram que sou portadora de uma moléstia incurável
e que minha previsão de vida é de aproximadamente 4 meses.


perguntou uma das filhas, em prantos.


- E a senhora nos conta isso com essa naturalidade ?



Continuou a senhora, com muita serenidade:


- Ora, eu tenho um bom tempo para fazer tudo que já devia ter feito há muito.


Arrumarei todos os meus armários, guardarei o que realmente uso
e o resto jogarei fora ou doarei a quem precisa.


Colocarei belas cortinas em todas as janelas e elas me impedirão de ficar olhando a vida alheia.



Evitarei ouvir e assistir más notícias e alimentarei o meu espírito com leituras saudáveis, conversas amigáveis, dispensarei fofocas e não criticarei a mais ninguém.


Todos os dias tirarei o pó da casa e, durante esse trabalho, pensarei:


Estou me livrando das sujeiras que guardei do passado


Pensarei naqueles que já me magoaram e, com sinceridade, os perdoarei.



Todas as noites agradecerei a Deus por tudo que estarei conseguindo fazer nestes últimos 4 meses que me restam.


O que posso fazer para tornar o dia de hoje um dia melhor?


Todas as manhãs, ao acordar, perguntarei a mim mesma:



E farei de tudo para transmitir felicidade àqueles que de mim se aproximarem.


Quatro meses são mais de 120 dias, portanto, quando eu fechar os olhos para nunca mais abri-los, eu terei feito no mínimo 120 boas ações.


E a cada dia que passar farei pelo menos uma boa ação.



Todos que a ouviam, pouco a pouco se retiraram dali,
indo cada um para um canto, para chorar sozinho.


A mulher ali ficou e nos seus olhos havia um brilho de alegria.


Pensava consigo mesma: " não posso curar meu corpo,
mas posso mudar a vida que me resta "
Ela tinha uma grande tarefa:



transformar seu mundo interior, tornar-se uma pessoa
totalmente diferente do que já fora

em apenas 4 meses
ela conseguiu cumpri-la plenamente.



O mais curioso dessa história é que, após a notícia dada aos familiares, ela viveu mais 23 anos.


Ela curou a sua própria alma e sua moléstia desapareceu;


ela morreu de velhice.



"Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito”. (Aristóteles)


"Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea."
(Allan Kardec)



"Se você não quer ser esquecido quando morrer, escreva coisas que vale a pena ler ou faça coisas que vale a pena escrever." (Benjamin Franklin)


"Os homens que tentam fazer algo e falham são infinitamente melhores do que aqueles que tentam fazer nada e conseguem." (Martyn Lloyd Jones)



"Se o seu navio não chega, nade até ele." (Jonathan Winters)