quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ensinar e Aprender

Classificação Principal: Parapedagogia
Classificação Específica: Neofilia
Classificações Secundárias: Paraeducação

ENSINAR E APRENDER

Texto Número 1

Ensinar e aprender (I) ( Série de artigos baseados nas experiências educacionais de Carl Rogers e do autor)

" Eu não posso ensinar a outra pessoa a maneira de ensinar". A partir dessa premissa Carl Rogers, talvez o maior pensador ligado à Educação no século XX, inicia uma espécie de decálogo em que coloca suas idéias de maneira clara, moderna e, às vezes contundente, na sua fantástica obra. E segue: " Creio que aquilo que se pode ensinar a outra pessoa não tem grandes conseqüências, como pouca ou nenhuma influência significativa tem sobre o seu comportamento".

Rogers tentava dizer isso, talvez, de maneira perturbadora e por isso mesmo digna de debates calorosos como os que enfrentei em minha vida como professor de Educação Artística e Orientador Educacional.

O que mais nos interessa realmente é captar na experiência pessoal de alunos e professores tudo aquilo que influencie significativamente o comportamento da criança.

A proposta de Rogers e que eu apliquei durante seis anos na Escola "Cesarina Fortarel ", complementada pelas minhas soluções práticas nas experiências, nem sempre compreendidas pela direção, colegas e pais foi positiva pois nela encontrei sempre a resposta da criança com quem trabalhei; A DESCOBERTA DE SI MESMA.

Toda ação que envolve a descoberta, agrega um resultado positivo e inovador, e encaminha a criança ao encontro do direito que ela tem à liberdade de expressão.

As aulas deverão ser criativas em toda a sua dimensão. As propostas ( em Educação Artística) resultantes de trabalhos desenvolvidos por adultos, "Disneys" e outros desenhistas, ilustradores nacionais famosos servirão apenas como referência e em alguns casos. Lembre-se: A criança não é um adulto e dar saltos na sua evolução gráfica é como decorar os Lusíadas.

Até a chamada, em sala de aula, será substituída por um processo de reflexão criativa que partirá sempre do aluno por sugestão do professor. O aluno jamais poderá ser um número de um caderno. A cada aula a chamada será mais um espetáculo de criatividade. (falaremos sobre esse assunto em outro artigo)

O professor é mero espectador, ou orientador, na descoberta do universo latente, puro e maravilhoso de toda criança. É claro que certas experiências levadas ao extremo poderão fazer com que pequena parte dos professores não consiga participar de empreitada tão difícil e pense até em deixar a profissão.

Será que aquela criança esta interessada em Inglês, Português, Matemática ? Se estiver, ótimo. Se não, então cabe à Escola perceber. Aí entra o trabalho do Orientador Educacional. E onde está ele? Pasmem. Não há orientadores Educacionais nas nossas Escolas.

Quando passei da quarta para a quinta série, lá no meu antigo Ginásio, percebi que na minha semana escolar, só dois únicos dias da semana me interessavam e me davam o grande prazer de ir à Escola. Nesses dias, havia em mim uma sensação de alegria, conforto, bem-estar, realização. Tudo que havia de bom na vida de um menino simples de bairro estava restrito às terças e quintas feiras. Eram os dias das aulas de Desenho, única coisa realmente interessante no meu pequeno mundo. As aulas dos professores de Português e de Latim eram um suplício na minha vida. O de Matemática nos obrigava a decorar Teoremas. Esqueci todos. Aliás... nunca os usei para nada.

Hoje, como o próprio Rogers sinto que estava interessado somente em ser aluno de assuntos que tivessem importância significativa para o meu próprio aprendizado e comportamento.

Mas o meu pai, minha mãe, meus irmãos, vizinhos, parentes, amigos, professores diretores, supervisores( eu ainda não sabia que eles existiam) , todos- uma nação toda - em nome da aprendizagem me obrigaram a decorar dez cantos dos Lusíadas . Declamo-os até hoje de cor, mas, nunca me serviram para nada. Aliás, serviram . Uma vez viajando pela Espanha visitei as ruínas de Mérida ( e lá existem monumentos do período do Império Romano melhor conservados que os de Roma, e como artista plástico e humanista, só isso me interessava... ).

Para testar a acústica do teatro, todo feito em mármore de Carrara, com colunas jônicas e capitéis maravilhosos "recitei" alguns cantos dos Lusíadas. Nas arquibancadas estavam três pessoas. Quando terminei, duas me aplaudiram. Ninguém entendeu nada do que eu disse.

Os aplausos também começaram um pouco antes do término e percebi nas entrelinhas que a grande platéia estava ávida de que o poema chegasse logo ao fim.

Rogers tinha razão. É lógico que naquela época eu já sabia que o grande pensador dissera tudo isso na sua proposta Educacional. Eu conhecera seus sonhos nos bancos da Faculdade. Só faltava comprovar que tudo "aquilo" que eu aprendera , odiando Português e os Lusíadas, não havia servido mesmo para nada.

Mas, ficou uma certeza: poderia ter aproveitado muito mais meu tempo nas maravilhosas aulas de Desenho. Talvez eu fosse um artista plástico um pouco melhor.

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor

contato@elviosantiago.com

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Texto número 2

Ensinar aprender (II)( Série de artigos baseados nas experiências educacionais de Rogers e do autor

Quando recebi a revisão do meu primeiro texto da série " Ensinar e aprender" jamais imaginei que um outro texto da minha revisora, que acompanhava o E Mail, fosse tão importante e esclarecedor. Agora sim o meu texto estava completo. Helena Guimarães a "Vovó Helena" narradora das minhas historias, aquela professora tão competente do Plantão Gramatical me enviara o " outro lado da moeda ". O lado que muitas vezes desconhecemos por não tê-lo vivido. Logo em seguida pedi permissão para publicá-lo. Este segundo artigo leva a dupla chancela: do autor e da revisora com excelente texto, competente na forma e no conteúdo. Seria uma perda lastimável se não fosse publicado. Ai esta para a reflexão das minhas idéias um texto que é uma saudação ao professor e um alerta sobre a nobre missão de"ensinar" e o resultado do "aprender" nem sempre encontrado nas escolas;

Caro Elvio.
Você tem razão, a experiência pessoal de aprender é intransferível.
Até hoje, ouço na memória a voz rouca do professor de português, Caio Graco da Silveira, dizendo, emocionado, os versos do episódio da Tempestade, dos mesmos Lusíadas que atormentaram você.


Eu tinha onze anos!
Aquelas palavras, muitas incompreensíveis, soavam imponentes, belas. A mim provocaram a descoberta da beleza das palavras, do incomensurável poder de "desenhar" uma cena traduzindo a imagem nas sonoridades e nas associações semânticas infinitas dos sons da voz humana. E ao decifrar os textos, em latim, da Eneida, com o inesquecível professor Luís Barth, os enlevos das duas línguas me envolveram perdidamente. A cada descoberta, outra se impunha. Apaixonei-me aos onze anos pela Língua Portuguesa. Com isso, passei a brincar com as palavras, a compará-las, a cantá-las, a garimpar as mais belas, as mais longas, as mais difíceis, as mais sonoras, a procurar as
histórias de cada uma (só depois vim saber que era etimologia), a inventar outras, a juntar as esquisitas, a garatujar cadernos com "poesias" e" narrativas" e veja no que deu. Cada caminho tem suas marcas, suas belezas, e cada caminheiro enxerga as que mais o tocam. Eu não sei hoje, como não sabia então, traçar figuras que alguém possa entender sem que eu as explique. O problema é que minha querida professora de desenho não conseguia aceitar que aluna tão aplicada como eu era, pudesse não ser capaz de traçar uma reta (nem com régua!) ou de demonstrar a luz e a sombra nas "cópias do natural", daquela jarra na mesa, daquela cestinha de frutas ou dos famigerados cones, cubos e paralelepípedos de madeira, meu sofrimento aí era indescritível. Apesar de tudo, fazia muitos desenhos "livres". Na opinião dos colegas, ridículos, no sentido literal: que faziam rir, e sempre acompanhados de algum texto jocoso, tinha algum sucesso. Mas acontece que
"desenho livre", na época era a paisagem da casinha à beira do lago, os
coqueiros no morro e os pássaros em V - estes eu fazia mais ou menos - ou
então aquele castelo com várias torres de tijolinho. Lembra-se disso? Dentro de um círculo ou de uma figura oval. Era um sufoco fazer os tais tijolinhos.
Mas depois que a "sabatina" voltava, eu enfiava uma trança na janela do
castelo, punha um monte de cabecinhas com elmos estranhos nas ameias, fazia
uma cavalo esquisitíssimo e um príncipe danado de feio e provocava
gargalhada na turma toda. Talvez eu tivesse certo talento para cartunista, ou quiçá para a sátira mesmo.
Só a professora não ria. Aliás, nem sabia do que se tratava e não imaginava que quem provocava o tumulto era aquela menininha tão educadinha e tímida, coitadinha sem jeito para as artes.
Rogers explica...


Abraços, Helena

A palavra de quem passou por experiência semelhante é o atestado de que a liberdade de expressão ainda, como antigamente, precisa ser vivenciada a cada minuto em sala de aula. Será que o nosso talento ,recebido de Deus, deva ser estimulado, ou deixado para que os homens insistam em destrui-lo?

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor

contato@elviosantiago.com

www.elviosantiago.com

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Texto número3

Ensinar e aprender ( III )(série de artigos baseados nas experiências educacionais de Rogers e do autor)

" Sinto que é extremamente compensador aprender, em grupo, nas relações com outras pessoas ... ou por mim mesmo".

Quando Carl Rogers refere-se ao estudo em grupo, para entendê-lo, há necessidade de voltar-mos aos anos sessenta, do século passado, quando as atividades em sala de aula eram totalmente individualistas. Trabalhar em grupo foi o grande salto para a educação proposta pelo nosso pensador.

Na década de sessenta fui convidado para lecionar Desenho numa escola católica tradicional. Recordo-me que, no primeiro dia de aula, surpreendi todas as normalistas com o meu primeiro minuto de fala:

- Anotem aí, disse eu. A partir de hoje esqueçam para sempre tudo o que aprenderam em Desenho. O desenho pedagógico é anti-pedagógico. Houve um silêncio absoluto.

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- O Desenho Pedagógico é na realidade a reafirmação permanente do individualismo e da padronização de conceitos adultos impingidos às crianças. Nos já sabíamos que a criança sempre tivera através do desenho a mais rica e original manifestação da sua capacidade criadora e que essa experiência proporcionava ao educando saúde intelectual .

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- As futuras normalistas quase entraram em pânico, as freirinhas em pânico total. Como eu havia sido indicado pela maior autoridade de Desenho do país, cujo livro CURSO DE DESENHO era o mais adotado e festejado no Brasil, o susto inicial foi assimilado por conta da palavra empenhada do Prof. José de Arruda Penteado ( meu professor de Didática Espacial de Desenho).

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- Impedernido seguidor de Skinner e John Dewey ( que já apresentava nas suas propostas uma evolução de idéias dentro do conceito educacional) : permitia à criança uma aproximação entre a parte experimental e a sua aprendizagem. Proporcionava aos estudantes a oportunidade de criar e investigar suas próprias experiências.

- O Prof. Penteado nesse dia também se escandalizou com a minha postura já com pinceladas Rogerianas. Foi numa das minhas aulas na Faculdade que recebi nota dez do professor após uma crítica:

- Não concordo com nada do que o senhor disse, referindo-se a mim, mas, dou-lhe a nota máxima pela sua audácia. Toda essa série de experiências e de conclusões lançaram-me num processo por vezes fascinante e por vezes inquietante.

- A partir de novas experiências notamos que todo processo criativo é por excelência perturbador. Há nos momentos, que antecedem a execução de qualquer atividade criadora uma instabilidade emocional da criança. Ela se sente insegura diante do novo, do inusitado. Superado esse momento que terá duração variável de aluno para aluno o processo se desenvolve mais tranqüilamente e no seu final poderá satisfazer ou não a criança. O momento seguinte é crucial na relação professor- aluno.

- Como agir diante de uma criança que pergunta :

- Esta bom professor?

- A resposta será feita com uma nova pergunta: O que você acha?

- O professor jamais devera avaliar projetos criativos. Aquilo que pode ser criativo para a criança nem sempre é criativo para o adulto. Há sempre uma dose de ranço nas respostas de adultos.

- Assim deve-se devolver a pergunta para o aluno com outra pergunta:

- O que você acha?

Se a criança achar que esta bom, concorde com ela, pois melhor que ninguém ela sabe o que é bom ou não.

Se criança achar que não esta bom, diga a ela:

- Então faça outro.

O professor que analisa o trabalho de um aluno pelos seus próprios padrões, bloqueia nessa criança a sua capacidade de criar.

Pior é imaginar que a criança tem necessariamente que pintar dentro de linhas pré estabelecidas pelo professor, pintar desenhos mimeografados ou xerocados, de artistas profissionais, cartunistas e ilustradores que, em toda sua vida profissional, acumularam informações altamente técnicas que, o aluno levará muitos anos ainda para assimilar. É como dizer ao aluno:

- Você não sabe pintar. Quem sabe é o Walt Disney( ou outro qualquer).

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Criança pinta como criança. Adulto, faz algo parecido como desenho pedagógico que tanto critiquei na década de sessenta. Mas infelizmente ele ( o desenho pedagógico) continua nas Escolas . Só que com outra caras: Patos Donaldes, Mickeis, Cebolinhas, meninos maluquinhos e tantas outras geniais criações de adultos, altamente intelectualizados e muito, mas muito distante mesmo, da pureza, da simplicidade e originalidade de cada criança. Mas isto é assunto para um outro dia .

Elvio Santiago é Artista Plástico e Escritor www.elviosantiago.com

( licenciado em Desenho e Plástica ,Educação Artística e Pedagogia)

Contato@elviosantiago.com

www.elviosantiago.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

Conscienciologia - Uma Experiência em Outra Dimensão

Classificação Principal: Assistenciologia
Classificação Específica: Tares
Classificações Secundárias: Definições de Temas da Conscienciologia; Projeciologia; Artigos

Uma Experiência em Outra Dimensão; http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/35/artigo119619-1.asp