quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fenômeno Bullyng

Classificação Principal: Parapedagogia

Classificação Específica: Efeito Bulling

Classificações Secundárias: Paraeducação, Rogers


Ensinar e aprender 12 (O fenômeno Bullyng)

Um dos assuntos em moda nas escolas atualmente é o chamado "Fenômeno Bullyng". Ele em si não tem nada de novo, é tão antigo quanto a humanidade. Porém pelo seu agravamento, nos últimos tempos, educadores, psicólogos e orientadores educacionais alertam para o problema e começam a tentar uma conscientização de pais e alunos desta assustadora realidade. Dias atrás num desses canais da Net, numa retrospectiva, em entrevista, Paulo Freire , o grande mestre, dizia:

- "A escola deverá ser uma festa". Concordo plenamente. Vou mais além. Como professor ligado às Artes, digo: "A Escola deve ser uma permanente FESTA DE CRIATIVIDADE".

Para quem não conhece, o termo Bullyng vem do Inglês. Refere-se a "valentão", "tirano" e outros significados semelhantes. A terminologia Fenômeno Bullyng usa - se no Brasil, como em outros países, para falar do comportamento agressivo, da crueldade das pessoas nos relacionamentos humanos entre adultos, crianças e principalmente entre duas ou mais crianças.

Para quem conhece as teorias de Rogers as soluções para superar o fenômeno existem. Na sua obra "Tornar-se Pessoa" o mestre nos fala do relacionamento aluno- professor como algo repleto de amor, carinho, compreensão e sobretudo diálogo. A educação libertária substitui a opressão.

Geane de Jesus Silva, psicopedagoga e coordenadora pedagógica, fala de dois casos bem clássicos. - "Atitudes de Bullyng podem tornar a vida de alguns alunos um verdadeiro inferno". Em um trabalho sobre o assunto relata a professora:

Carlos da quinta série foi vítima de alguns colegas por muito tempo, porque não gostava de futebol. Era ridicularizado constantemente, sendo chamado de gay nas aulas de educação física. Isso o ofendia sobremaneira, levando-o a abrigar pensamentos suicidas, mas antes queria uma arma e matar muitos "colegas" dentro da escola.

Gislaine da segunda série, oito anos, estava faltava freqüentemente à escola. Quando comparecia, chorava muito e não participava das aulas, alegando dores de cabeça e medo. Certo dia, alguns alunos procuraram a professora da turma, dizendo que a garota estava sofrendo ameaças. Teria que dar suas roupas, sapatos e dinheiro para outra aluna, caso contrário apanharia e seria cortada com estilete.

São casos reais colhidos por Cleo Fante para uma pesquisa sobre a violência nas escolas, narrados no seu livro " Fenômeno Bullyng", (como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz). Afinal o que é esse fenômeno Bullyng ? Quais as causas? Como preveni-las ?

As "brincadeiras de mau gosto" revelam-se ações muito sérias. Levam estudantes ( crianças) ao suicídio e muitas vezes a atos tresloucados, com armas de fogo ou armas brancas. Isso acontece nas nossas escolas, e em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Mas de onde trazem as crianças essa agressividade intencional e repetitiva? Como professores e orientadores devem se comportar? E aos pais o que cabe? Fazer ou consertar? ... O assunto está apenas no seu início.


Ensinar e aprender nº 13 Bullying (2) Elvio Santiago ® contato@elviosantiago.com

"Ela se apresentou: - Meu nome é Cleo Fante... E com um gesto passou-me o seu livro que acabava de ser publicado: Fenômeno Bullying. Estranha a presença de uma palavra inglesa no título do livro...

Assim começa um artigo do poeta Rubem Alves na sua página da internet .

O encontro do autor com a escritora deu-se de maneira simples e inesperada. Mais adiante o próprio poeta fala de sua experiência como vítima do fenômeno. Diz ele: - Fui vítima do Bullying. Quando me mudei para o Rio de Janeiro e meu pai me colocou no Colégio Andrews, que era freqüentado pela elite carioca, fui motivo de zombaria por causa do meu sotaque caipira e a forma como me vestia. "Sentia-me ridículo". Diz ele que ao ler as primeiras 40 páginas do livro de Cleo descobriu que a sua dor fora muito pequena em relação às humilhações de outras crianças. E diante dos relatos que farei abaixo descobri que a minha passagem pelo Bullying foi também uma experiência pouco significativa.

Tinha cinco anos e meio quando comecei a freqüentar a primeira série. Era resultado da minha alfabetização precoce e do contato muito cedo com as letras. Eu era o menor da classe e por isso motivo de chacota dos maiores.

Os relatos da autora vão além e são eivados de verdadeiro sadismo. E sadismo é antes de tudo uma monstruosa deformação espiritual. Dizem, que nem Freud conseguiu definir com precisão as razões do sadismo.

Cleo Fante no seu livro conta inúmeros casos:

Edimar era um jovem humilde e tímido de 18 anos que vivia em Taiúva, Estado de São Paulo. Seus colegas fizeram-no motivo de chacota porque era gordo. Puseram-lhe os apelidos de "gordo", "mongolóide", "elefante cor de rosa" Passou a tomar vinagre de maçã todos os dias, no seu esforço para emagrecer. ( Um alerta: O ácido acético contido no vinagre, ingerido em excesso, pode levar à morte). No dia 27 de janeiro o jovem entrou na escola armado e atirou contra seis alunos, uma professora e o zelador, matando todos. Foi o caminho que encontrou para vingar-se das humilhações sofridas.

Fique claro porém que briguinhas ocasionais entre crianças não representam uma ameaça de Bullying. As briguinhas são até necessárias em certos momentos em que elas precisam de auto- afirmação.

Afinal quem é responsável pelo fenômeno Bullying? Espero que os pais após lerem este artigo façam uma sincera autocrítica sobre a educação de seus filhos. Será que o ato inicial do fenômeno Bullying começa em casa? Será que pais despreparados para viver em sociedade são os verdadeiros agentes dessa praga? Será que pais separados contribuem para que o fenômeno se manifeste? Será? Ou achamos que a responsabilidade é da escola? Os pais estão realmente acompanhando a educação dos filhos ou estão em busca de resultados de notas?

Uma certeza que tenho e defendo há 40 anos é a que Rogers propõe: "Que a educação do ser humano pela aventura criativa, encontre: a liberdade, a auto- realização e a consciência social." A educação também pode contribuir para postular-se a dignidade perdida em uma sociedade egoísta, cínica e repressora.




COMENTÁRIOS


virginia sibon disse...
Elvio está de parabéns em colocar um assunto de tamanha importância para análise de todos.
Se olharmos esse fenômeno pelo paradigma consciencial, veremos que essa situação tem início muito antes do lar e da escola; na realidade a agressividade, raiva e sadismo estão diretamente ligados à paragenética da criança, manifestando seu porão consciencial de forma exacerbada. O contexto familiar despreparado para educar com amor e respeito ao outro, também está relacionado à interprisão grupocármica que une patologicamente os pais e filhos, dificultando um relacionamento harmonioso e sadio.
A escola, pela falta de conhecimento da multidimensionalidade e multisserialidade, também não consegue entender e promover soluções para esse fenômeno.
Infelizmente grande parte da população necessita de uma reeducação, no sentido de abrir-se para novos paradigmas, novas posturas mais dignas e para a vivência da Cosmoética.
Virginia
25 de Julho de 2009 04:20

Walter de Almeida disse...
Parabéns para todos que participam
deste blog tarístico, e principalmente para o Elvio,autor desse texto.
A violência em todas as épocas e em todos os lugares pode representar um mecanismo de defesa de um núcleo patológico que a consciência intrafísica traz em sua paragenética(outras vidas)exacerbando ao máximo essas emoções desequilibradas,fase da hiperreatividade,onde desenvolve um holopensene belicista e quando não as supera, entra em um outro estágio patológico que é auto-destruição, o suicídio.
Podemos perceber nesses casos a existência de um fluxo energético que vai mudando a postura e a convivialidade desses jovens em relação às pessoas em todos os setores de sua vida(fluxo praxiológico).
Esse e outros problemas são decorrentes da vivência da chamada Cidadania Convencional e com difíceis soluções e eficácia limitada.
Devemos no atual momento evolutivo ampliar nossa visão de mundo, observando esse mesmo problema sob o ângulo da Multidimensionalidade, Multiexistencialidade, desenvolvendo assim uma pedagogia
embasada nesses preceitos, ou seja, a Parapedagogia.
Devemos otimizar a formação de Parapedagogos para uma resolução mais abrangente, mais evolutiva, direcionando esse fluxo para aspectos mais positivos na vida do ser humano.
Walter de Almeida
26 de Julho de 2009 06:38

19 de Agosto de 2009 21:05

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Blogger A Turma da Laurinha disse...

Obrigado pelas observações dos amigos Walter e Virgínia. Sobre o ponto de vista de um novo paradigma para a educação a colocação é perfeita.Por se tratar de,artigos ligados à Pedagogia empregada hoje nas escolas( e assim pretendia o Jornal quando publiquei essa série)penso que, naquele momento atingiram os objetivos propostos.Porém,como o Cosmograma nos remete exatamente à uma reflexão mais apurada sob o ponto de vista Conscienciológico me atrevi a publicá-los. Obrigado pelos comentários esclarecedores, pela visão multidimencional e multiserial do problema. São comentários oportunos e atuais. Agora os artigos estão mais ricos. Valeu a pena publicá-los. Quem sabe eles possam futuramente ser reescritos dentro de uma visão Conscienciológica mais clara e compreendido por pais com abertismo suficiente para uma mudança maior nos objetivos da Educação,ou assim mesmo como estão. Espero que sirvam como ponto de reflexão para outras consciências (proposta tão importante do Cosmograma).
O autor 20 de agosto 10:10

20 de Agosto de 2009 06:40